Briga na frente dos filhos, pode?

Todo casal normalmente tem discussões, umas leves, outras mais intensas. O que fazer com os filhos nessa hora? Quanto mais eles crescem, mais difícil é esconder esses momentos. Mesmo que não presenciem uma briga, eles verão que a atitude do casal pode ter mudado. Crianças tem o dom de sentir, não precisam de muitas explicações. Qual a melhor forma de lidar com isso?

Todo mundo já ouviu a frase: “Nunca brigue diante de seus filhos!”. Eu concordo e discordo ao mesmo tempo. Concordo que se o tipo de briga que o casal costuma ter envolve ofensas, desrespeito, acusações e assuntos delicados, realmente as crianças não devem presenciar nada disso. Se por acaso, ocorrem algumas discussões sobre assuntos mais leves, onde se mantenha argumentos e a tentativa de achar uma solução, pode ser muito bom os filhos presenciarem estes momentos.

Acredito que as crianças aprendem com nosso exemplo. Elas vivenciam brigas e discussões desde cedo, entre elas e os pais, entre irmãos, colegas ou familiares. Se eles não tem a oportunidade de ver como os adultos, principalmente os pais agem quando discordam, não terão base para aprender a reagir nessas situações. Aprender a lidar com as diferenças, saber ceder em alguns momentos, pedir desculpas se tiver feito algo errado, são coisas essenciais para uma boa relação interpessoal.

Toda vez que meu filho mais velho, que já entende bem as coisas, assisti uma discussão, explico a ele o que aconteceu. Que a mamãe e o papai discordam de como deve ser determinada coisa, que cada um explica seus motivos, refletimos durante um tempo, depois chegamos em um acordo e volta tudo ao normal. Se por acaso um de nós altera o tom da voz, pedimos desculpas e explicamos que isso pode acontecer por estarmos nervosos, mas isso não ajuda e nem resolve nada. Todo mundo erra, pais e filhos, não há nada de anormal nisso. Estar sempre disposto a admitir seus erros e se esforçar para evitar que se repitam é o processo normal de aprendizado para todos.

Os casamentos geralmente passam por fases, às vezes os desentendimentos são mais frequentes, outras vezes quase não ocorrem. Todos nós passamos momentos estressantes na vida. Pode ser o trabalho, as finanças, a relação familiar, uma doença ou outro motivo qualquer. Mas como pais, temos o dever de nos vigiar sobre o que estamos ensinando aos nossos filhos. Isso nos torna melhor e nos motiva a superarmos nossas dificuldades. Se esforçar para melhorar a relação entre o casal, trará benefícios para toda família. Poder ensinar seus filhos a se relacionarem de verdade, respeitando o próximo e admitindo seus erros é essencial.

Crianças que foram totalmente excluídas desse assunto da vida dos pais, possivelmente terão problemas com seus relacionamentos. Ter uma falsa imagem de casal perfeito transmitida pelos pais, pode gerar frustração nos relacionamentos daquela criança no futuro. Ela pode se sentir fracassada ou insatisfeita com as relações e não saber lidar para resolver os problemas. Criar expectativas fantasiosas nas crianças não pode trazer nada de bom para elas. Sempre prefiro a verdade, dita de forma apropriada e de acordo com o entendimento de cada criança. Temos que ensinar e preparar nossos filhos para a vida, para amar, para superar os desafios e não desistir por qualquer bobagem.

Temos que ter cuidado na hora da raiva. Não passarmos uma má impressão do pai ou da mãe para os filhos. O desmerecimento de um com outro sim, pode ser sentido e ter reflexos muito ruins para as crianças. Eles podem se apropriar da raiva pelo outro, ou ainda se ofender e rejeitar quem está desmerecendo. Uma boa conversa a sós entre os pais para refletirem sobre as brigas é essencial. Resolver antigos problemas, perdoarem, deixar o orgulho de lado e se abrir para uma boa relação só trará coisas boas para a família. Enquanto não puderem dar um bom exemplo, melhor evitar a todo custo a presença dos filhos nesses momentos.

Aprendermos a lidar melhor com nosso parceiro é essencial para criar crianças em um ambiente saudável. Todos temos defeitos, mas o amor aceita o outro como é, sem julgamentos. Valorize as qualidades do seu companheiro, o que te fez escolher ele para ser pai do seus filhos. Ás vezes o simples fato de aceitar as limitações do outro já acaba com a maioria das discussões.  Nem sempre depende só de nós, mas temos que tentar fazer a nossa parte. Transmitir ensinamentos úteis, darmos o exemplo. Assim, nossos filhos poderão se tornar adultos equilibrados e felizes em suas relações.

 

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