Carta aos meus filhos…

Esta carta é para meus filhos lerem daqui uns 10, 20 ou 30 anos. Quero que saibam o que eu sentia quando eram pequenos. Como eu me vi mãe, uma aprendiz e sonhadora. Fazendo o possível, para dar o melhor de mim.

Ser mãe não estava nos meus planos. O destino provocou. O que parecia uma opção minha se tornou uma imposição física. Se não fosse isso, talvez eu não tivesse mudado de idéia e me interressado tanto em ser mãe. Como por milagre, meus filhos entraram na minha vida.

Desde o dia que soube que ia ser mãe pela primeira vez, minha vida mudou. A partir daquele momento eu nunca mais estaria só. Além das responsabilidades de ser mãe, de guiar e educar uma criança neste mundo de cabeça pra baixo, eu teria que lidar com algo muito maior. Eu teria que me permitir amar.

Hoje percebo, que a escolha de não querer ser mãe, que tinha a princípio, nada tinha a ver com a pouca paciência com crianças ou o que teria que abrir mão. Era medo de amar, porque junto com o ter, vem o medo de perder.

Ter um filho supõe amar outro ser humano profundamente. É preciso ter coragem, para abrir o coração e deixar esse amor crescer. Ao mesmo tempo, temos que lidar com todos riscos e perigos que a nossa condição humana nos impõe.

Não podemos ter filhos e trancá-los em casa. Precisamos aprender a lidar com os medos e inseguranças. Precisamos deixar eles viverem, aprenderem por si mesmo a se protegerem. Podemos controlar um pouco enquanto são pequenos, mas logo estarão vivendo suas vidas sozinhos.

Além da difícil missão de proteger, temos que educar. Falando nisso, sabe o que realmente quero ensinar a meus filhos? A aceitarem a si mesmos como são, perfeitos e únicos. Perfeitos com seus defeitos, igual a todos nós. Quero ensinar a respeitarem ao próximo, para que saibam conviver em harmonia na sociedade.

Quero ser respeitada por eles, mas não por terem medo de mim, mas por confiarem. É confiando que aceitarão que tudo que faço é para o bem deles. Que mesmo ao reeprender as atitudes erradas ou castigá-los, eu estou tentando evitar que se coloquem em problemas maiores. Podem não entender no começo, mas sei que esse laço de confiança fará toda diferença na vida deles.

Não quero ser a mãe que julga, culpa ou reprimi. Quero ser o guia, o porto seguro, que compreende e ajuda. Mesmo nós adultos vivemos errando. Quando grito, perco a paciência, reclamo ou negligêncio alguma coisa, a única coisa que preciso é perdão e apoio. Assim, vou ter tranquilidade para tentar de novo e ser uma mãe melhor a cada dia. Espero incentivar e ajudar meus filhos nesse aprendizado também. Quero que meus filhos aprendam a errar, se desculpar e sempre tentar de novo.

O mais difícil em amar e conviver com as pessoas que amamos é a comunicação. Ela é a grande responsável pelas brigas, mágoas e pela distância que surgem dos desentendimentos. A comunicação, requer muito mais que falar, requer se fazer entender pelo outro. Mas nós, costumamos interpretar o que o outro fala usando nossos sentimentos e experiências. Aí que se confundem as mensagens, nós magoamos e ferimos o outro. Percebem o quão complexo é educar?

Os pais geralmente são culpados por tudo de ruim que acontece aos filhos, é natural. Quando nos decepcionamos, não eram os pais que deviam estar nos protegendo? Eles falharam. Certamente falharam na comunicação. Preparar os filhos para as decepções também faz parte. Não podemos maquiar o mundo, precisamos ensinar a lidar com as emoções, com a realidade, valorizando as coisas boas e ensinando a ver os obstáculos como desafios ao crescimento pessoal.

Aos meus filhos, quero que saibam, que me permiti amar vocês como nunca pensei que pudesse amar na vida. Enfrento meus medos diarimente, aprendo cada dia a lidar com minhas emoções. Vocês me trouxeram a possibilidade de ser incrivelmente maior, mais feliz. Me deram a alegria de estar ao lado de vocês, aprendendo e ensinando.

Espero profundamente conseguir educá-los. Saber me comunicar e me fazer entender. Espero que se amem como são, não se cobrem perfeição. Que se alegrem com cada dia que nascer. Que valorizem o respeito, confiança, o amor e o perdão.

Que se permitam amar sem medos e nunca abandonem a alegria de criança que trazem em si. Que saibam que eu estarei sempre aqui para ajudar em todos os momentos da vida. Nunca estarão sós. Não sou a mãe perfeita, mas espero que quando lerem, possam me dizer se me sai bem nessa missão. Se fui capaz de mostrar a beleza da vida e o que realmente importa.

Meus conselhos de mãe? Sejam sempre gratos pela vida, pelo amor e pelas pessoas que os rodeiam. Rezem sempre pedindo proteção, luz e paz para continuarmos nossa jornada. Vivam cada dia por vez, semeando coisas boas, que o resto, é só o resto.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *