Pais ativos! O papai aí participa nos cuidados com os filhos?

Em uma época de tanta discussão sobre a igualdade entre homens e mulheres, o papel do pai também entra em questão. Afinal, como dividir os cuidados dos filhos com os pais? Como as mamães lidam com isso?

Paternagem, uma escolha de se entregar a ser pai.

Você  já ouviu falar de paternagem? Diferente da paternidade, que é o simples fato de ter um filho, a paternagem é a aceitação e dedicação do pai ao filho. É o envolvimento emotivo e ativo na função de pai.

Mesmo com a importância da paternagem cada dia mais conhecida, o machismo ainda impera na nossa sociedade. Engana-se quem pensa que ele está só na cabeça dos homens. As mulheres lutam confiantes por direitos iguais e divisão dos cuidados da casa. Mas, e quando se trata dos cuidados dos filhos?

Não é incomum encontrar  mamães que não confiam nas habilidades do papai para cuidar dos pequenos, dificultando o envolvimento entre pais e filhos.

Quando tivemos nosso primeiro filho, meu marido sempre ajudava nos cuidados. Dava banho, trocava fralda e colocava para dormir. Mas demorou bastante para que eu me sentir segura e tranquila para deixá-lo cuidar sozinho do bebê.

Entendo as mamães que não conseguem delegar certas tarefas para os papais. A verdade é que a maioria deles está despreparado para isso, visto que há pouco tempo atrás, não era de costume exercerem tarefas como alimentação, higiene ou rotinas dos filhos.

Como lidar com os papais despreparados?

Muitas vezes os homens não se sentem confortáveis em determinadas tarefas justamente por não terem experiência ou não se sentirem capazes. Nestes casos, temos que ir mostrando e auxiliando, dando a eles a experiência na prática. Mas, para isso, eles precisam de espaço para tentar, errar e tentar de novo, até aprenderem.

Quando o papai é muito machista, o que fazer?

Quando o machismo ficou enraizado na criação, os pais não acham que lhes cabem certas funções. Muita conversa, incentivo e apoio podem ajudar a mudar esta percepção. É um processo delicado e é importante refletir sobre isso, inclusive quando planejarem filhos.

Os pais devem e precisam participar dos cuidados com os filhos. Não é só questão de igualdade, é um laço de amor e confiança que se desenvolve com os filhos. Em tempos em que mães e pais trabalham excessivamente, é essencial a participação e dedicação de ambos para o bom funcionamento da casa e da educação dos filhos.

Conversar com o marido e tentar entender como se sente é o primeiro passo para se encontrar um bom convívio em família. Talvez algumas atividades sejam mais fáceis do que outras para eles e se adaptar a isso ajuda muito a obter bons resultados.

Homens e mulheres cuidam de forma diferente dos filhos

Com certeza a mãe e o pai tem diferentes percepções sobre os cuidados com os filhos. Mas, isso também difere absurdamente entre as próprias mães. Basta olhar tópicos de grupos de mães que a diversidade de opinião são gritantes. Então, ao dividir tarefas, precisamos entender e respeitar as diferenças. Conversar e chegar a consensos, para que não se crie um problema maior no relacionamento familiar.

A mãe que boicota o pai de hoje, cria o filho machista de amanhã.

As mamães que não confiam nos parceiros, não incentivam ou não permitem a sua participação ativa na rotina familiar mostram aos filhos que os homens não servem ou não são capazes de cuidarem deles. Não se espera que este filho no futuro sinta que é capaz ou  que deva fazer diferente. Portanto, nem que seja aos poucos e com supervisão, temos que ajudar nossos maridos a aprenderem a cuidar deles e valorizar esta evolução.

Temos que lembrar que o machismo não foi criado por nossos companheiros, estamos reformulando conceitos em sociedade e isso requer esforço e paciência. Muitos homens já se viram muito bem nos cuidados com a casa e os filhos, mas não é a regra geral. Não se sinta mal se não é o seu caso, mas não devemos desistir. O diálogo é a melhor maneira de irmos mostrando e mudando esta realidade.

Meu filho só quer a mãe!

Às vezes, mesmo sendo um pai ativo, os bebês preferem a mamãe e demonstram com choros insistentes. Isso pode ser bem cansativo para nós mamães e frustrante para os papais, que podem se sentir rejeitados. O melhor é ter calma nessa situação e tentar incluir o papai em alguma atividade que o bebê aceite melhor, até mesmo atividades ou passeios a sós com os filhos.

Durante muito tempo meu marido colocou minha filha para dormir. Depois que desmamei ela aos 20 meses, ela não aceitou mais de forma alguma. Invertemos tarefas para poder respeitar sua vontade. São fases e logo passará.

O diálogo constante em família é essencial. A flexibilidade e empatia deve ser exercida com dedicação. Criar filhos não é nada fácil, mas dividir a responsabilidade com o pai além de tornar a jornada mais leve, trará muitos benefícios para os filhos. O papel de ambos é de extrema importância, quanto mais amor, apoio e segurança, melhor será para nossos filhos.

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Briga na frente dos filhos, pode?

Todo casal normalmente tem discussões, umas leves, outras mais intensas. O que fazer com os filhos nessa hora? Quanto mais eles crescem, mais difícil é esconder esses momentos. Mesmo que não presenciem uma briga, eles verão que a atitude do casal pode ter mudado. Crianças tem o dom de sentir, não precisam de muitas explicações. Qual a melhor forma de lidar com isso?

Todo mundo já ouviu a frase: “Nunca brigue diante de seus filhos!”. Eu concordo e discordo ao mesmo tempo. Concordo que se o tipo de briga que o casal costuma ter envolve ofensas, desrespeito, acusações e assuntos delicados, realmente as crianças não devem presenciar nada disso. Se por acaso, ocorrem algumas discussões sobre assuntos mais leves, onde se mantenha argumentos e a tentativa de achar uma solução, pode ser muito bom os filhos presenciarem estes momentos.

Acredito que as crianças aprendem com nosso exemplo. Elas vivenciam brigas e discussões desde cedo, entre elas e os pais, entre irmãos, colegas ou familiares. Se eles não tem a oportunidade de ver como os adultos, principalmente os pais agem quando discordam, não terão base para aprender a reagir nessas situações. Aprender a lidar com as diferenças, saber ceder em alguns momentos, pedir desculpas se tiver feito algo errado, são coisas essenciais para uma boa relação interpessoal.

Toda vez que meu filho mais velho, que já entende bem as coisas, assisti uma discussão, explico a ele o que aconteceu. Que a mamãe e o papai discordam de como deve ser determinada coisa, que cada um explica seus motivos, refletimos durante um tempo, depois chegamos em um acordo e volta tudo ao normal. Se por acaso um de nós altera o tom da voz, pedimos desculpas e explicamos que isso pode acontecer por estarmos nervosos, mas isso não ajuda e nem resolve nada. Todo mundo erra, pais e filhos, não há nada de anormal nisso. Estar sempre disposto a admitir seus erros e se esforçar para evitar que se repitam é o processo normal de aprendizado para todos.

Os casamentos geralmente passam por fases, às vezes os desentendimentos são mais frequentes, outras vezes quase não ocorrem. Todos nós passamos momentos estressantes na vida. Pode ser o trabalho, as finanças, a relação familiar, uma doença ou outro motivo qualquer. Mas como pais, temos o dever de nos vigiar sobre o que estamos ensinando aos nossos filhos. Isso nos torna melhor e nos motiva a superarmos nossas dificuldades. Se esforçar para melhorar a relação entre o casal, trará benefícios para toda família. Poder ensinar seus filhos a se relacionarem de verdade, respeitando o próximo e admitindo seus erros é essencial.

Crianças que foram totalmente excluídas desse assunto da vida dos pais, possivelmente terão problemas com seus relacionamentos. Ter uma falsa imagem de casal perfeito transmitida pelos pais, pode gerar frustração nos relacionamentos daquela criança no futuro. Ela pode se sentir fracassada ou insatisfeita com as relações e não saber lidar para resolver os problemas. Criar expectativas fantasiosas nas crianças não pode trazer nada de bom para elas. Sempre prefiro a verdade, dita de forma apropriada e de acordo com o entendimento de cada criança. Temos que ensinar e preparar nossos filhos para a vida, para amar, para superar os desafios e não desistir por qualquer bobagem.

Temos que ter cuidado na hora da raiva. Não passarmos uma má impressão do pai ou da mãe para os filhos. O desmerecimento de um com outro sim, pode ser sentido e ter reflexos muito ruins para as crianças. Eles podem se apropriar da raiva pelo outro, ou ainda se ofender e rejeitar quem está desmerecendo. Uma boa conversa a sós entre os pais para refletirem sobre as brigas é essencial. Resolver antigos problemas, perdoarem, deixar o orgulho de lado e se abrir para uma boa relação só trará coisas boas para a família. Enquanto não puderem dar um bom exemplo, melhor evitar a todo custo a presença dos filhos nesses momentos.

Aprendermos a lidar melhor com nosso parceiro é essencial para criar crianças em um ambiente saudável. Todos temos defeitos, mas o amor aceita o outro como é, sem julgamentos. Valorize as qualidades do seu companheiro, o que te fez escolher ele para ser pai do seus filhos. Ás vezes o simples fato de aceitar as limitações do outro já acaba com a maioria das discussões.  Nem sempre depende só de nós, mas temos que tentar fazer a nossa parte. Transmitir ensinamentos úteis, darmos o exemplo. Assim, nossos filhos poderão se tornar adultos equilibrados e felizes em suas relações.

 

Como fica o casamento após a chegada dos filhos?

A chegada de um filho traz muita alegria e felicidade, mas é uma mudança radical na relação marido e mulher. Muitos casais experimentam dificuldades em reencontrar harmonia com a nova dinâmica familiar. O sucesso de um casamento está na capacidade de se adaptar as dificuldades, reencontrar o equilíbrio juntos e fortalecer a relação a cada desafio superado. E você? Está fazendo sua parte para isso?

Logo após o parto nós  passamos aqueles 30 a 40 dias de resguardo. Todos estão preocupados em atender o bebê, aprendendo suas novas funções de mãe e pai. O marido ajuda nas tarefas com o bebê, é super compreensivo com a mamãe e você pode achar que a fase mais complicada já passou.

Pode ser para alguns casais, mas uma grande parte vai ter essa fase de adaptação mais prolongada. Nosso corpo após o parto leva por volta de um ano inteiro para se recuperar da gestação. Nem sempre nós ficamos confortáveis com nosso corpo nesse período. Somando a isso, a diminuição da libido por conta dos hormônios do aleitamento, a preocupação com as rotinas do bebê e o cansaço, não é de se estranhar que não seja tão fácil assim a retomada da vida sexual do casal.

O marido que estava super compreensivo, com o passar do tempo pode acabar irritado com a situação prolongada. Ninguém tem culpa das ações dos hormônios e quem acaba de passar por uma gestação sabe disso. Eles são cruéis conosco e os homens também são afetados por eles.

O papai está muito feliz com o filho e está curtindo muito. Mas certamente ele está aguardando a esposa voltar a ser como era antes. Nós sabemos que isso não vai acontecer. Podemos aos poucos retomar a vida sexual, vamos sair a dois para dançar ou conversar, ver os amigos sem os filhos, mas nunca mais será como antes. Muitas mães largam o emprego, os gastos aumentam e o padrão de vida do casal pode cair. As mudanças podem ser muitas, e a adaptação a nova realidade se tornar mais complexa.

Somos diferentes agora. Somos mãe e temos outras prioridades e preocupações. As atividades em família serão a nova programação na maior parte do tempo. Se tiver mais de um filho, vai ser mais difícil ainda as escapadas à  dois e conversar determinados assuntos em casa.

O resultado disso é que o casal acaba se distanciando. E digo isso principalmente no quesito do diálogo. Aquelas famosas DRs que tanto ajudam o casal a se manter satisfeito numa relação quase não tem mais vez. São substituidas por algumas reclamações ou pequenas discussões sobre assuntos banais. O que deveria estar sendo conversado está ficando de lado. Mágoas podem começar a se formar de um lado e de outro.

Quanto mais o tempo passar mais difícil se torna essa reaproximação. Não deixe isso pra lá. Quando perceber que algo não está bem entre o casal, arranje um tempo para conversarem e entenderem os sentimentos um do outro. Os papais devem ser compreensíveis, mas nós também devemos dar atenção à nossa relação.

O número de casais que se separam após a chegada do primeiro filho é enorme. Eu atribuo a isso a idealização que um e outro têm sobre o parceiro. Ser pai e mãe muda tudo, mas temos que estar abertos a amar o parceiro na nova função.

Cada um assumirá sua personalidade como pai e mãe. Não podemos exigir que tudo seja como nós queremos. Muitas vezes irão discordar sobre como educar ou o que os filhos podem ou não fazer. Mas temos que aprender a admirar nosso parceiro na nova função, afinal, todos estamos aprendendo. Criar os filhos em um ambiente com amor e harmonia faz toda a diferença.

Se estiver passando por uma dessas fases, não deixe para depois. Páre e reflita o que pode estar sendo difícil para o companheiro se adaptar, o que ele mais sente falta. Mantenha o diálogo e tente ouvir o outro lado. Aos poucos cada um vai se fortalecendo como pai e mãe e a relação do casal poderá se firmar muito melhor do que antes dos filhos. É só uma questão de manter o companheirismo. Se você escolheu seu parceiro para ser o pai dos seus filhos, faça sua parte para manter essa relação forte e saudável!