Educação: gritar funciona?

Você é uma mãe que costuma gritar para ser ouvida pelos filhos? Ou uma mãe que quando está muito cansada e nervosa acaba gritando por motivos tolos com os pequenos? Seja qual for o motivo dos gritos, eles não costumam ajudar em nada!

Afinal, o que os gritos causam nas crianças?

Muitos psicólogos afirmam que gritar causa na criança uma dor equivalente ao uso da violência física (palmada). Gritar, reprimir e xingar os pequenos por seus erros pode causar uma insegurança enorme e ter consequências sérias na formação deles.

Nos casos em que a mãe costuma gritar xingamentos, os filhos não ouvem a mensagem que esta sendo “gritada”. O grito age como um “susto” neles. Então, muitas vezes eles nem entendem direito o porquê dos gritos e o que fizeram de errado.

O uso dos gritos para dar ordens cotidianas também não é indicado. Com o passar do tempo, acostumamos a criança a só nos ouvir quando gritamos. Geralmente nesse momento, nós, mães, já falamos 10 vezes calmamente uma informação para eles e já estamos irritadas pela falta de obediência deles.

Pesquisando e assistindo palestras de psicólogos sobre educação infantil, percebi que é unânime que o grito não é benéfico em nenhum sentido para a educação dos filhos. Mas se não podemos bater e nem gritar, como fazê-los nos escutar e obedecer? A resposta é simples, precisamos de uma comunicação eficiente! 

Como ter uma comunicação eficiente com as crianças?

Eu admito que andei sendo uma mãe gritona, coisa que não era quando tinha só um filho. Muitas coisas mudaram e ficar em casa com dois filhos pequenos o dia todo acabou me levando a gritar.  Não foi proposital, nem sei o dia que começou, mas estava se tornando um hábito. Percebi que estava ficando mais irritada. E, além disso, meu filho sequer obedecia aos meus gritos para parar de incomodar a irmã ou descer da escada.

Culpa deles? Não, minha. Tive que rever minhas atitudes e o nosso dia a dia, para contornar esses momentos sem os gritos.

Para conseguir uma comunicação eficiente, precisamos nos abaixar na altura da criança, fazer ela olhar para nós, então falarmos com ela.

Quando meu filho de 4 anos acorda, eu sempre perguntava diversas vezes o que ele queria comer no café da manhã.  Ele ficava andando e brincando e não me respondia. Isso era cansativo pra mim, se estava num dia complicado, já começava a me irritar.

Para mudar, fui até ele, me abaixei e perguntei o que iria querer. Ele não me respondeu imediatamente, mas vendo que eu não iria sair dali (estava atrapalhando ele), depois de um minuto pensando ele me respondeu! Muito mais rápido do que eu esperava.

O café da manhã foi muito mais tranquilo depois disso. Mas tínhamos sempre um outro momento de gritos a resolver. O mais velho adora dinossauros e, mais ainda, ficar “atacando” a irmã com o dinossauro. Ela acha graça, até que daqui a pouco está aos prantos.

Cuidando de duas crianças em casa, muitas vezes isso acontecia enquanto eu cozinho ou lavo a louça. Resultado? Para não parar tudo que estou fazendo, eu acabava gritando várias vezes: Filho, pára de incomodar sua irmã! Até que daqui a pouco ela começa o choro, pois ele não parou. Ele vai para o castigo, mas tudo se repete no outro dia.

Mudando minhas atitudes!

Tentei fazer diferente! Fui até meu filho no momento que vi que a brincadeira do dinossauro estava começando. Me abaixei e expliquei a ele que ela fica assustada e isso não era legal. Que ele devia atacar a casinha de brinquedos ou outra coisa que quisesse e não ela. No final, os dois estavam atacando a casa de bonecas e se divertindo juntos, sem choro, sem castigos.

Nós temos que observar quando usamos o recurso de gritar e mudarmos a estratégia. No caso de chamar para tomar banho, escovar os dentes ou se vestir, temos que interromper o que eles estão fazendo, para que ouçam nossas instruções. Se, por exemplo, estiverem assistindo televisão, temos que desligar o aparelho e então eles irão fazer quando falarmos. Podemos ainda avisar um pouco antes, que quando acabar o desenho, vamos desligar e ir fazer tal coisa.

O que nos leva a gritar com as crianças?

Uma grande parte das mães, geralmente está muito cansada, exausta e acaba gritando. Outras, muitas vezes estão irritadas e nervosas por problemas pessoais. Mas a grande maioria, sabe que estão erradas por gritar e se sentem muito culpadas por isso. Temos que mudar esse comportamento.

Quando acharem que estão em um dia muito irritadas, avisem aos filhos que estão muito cansadas e precisam de ajuda.  Eles entendem muito mais que imaginamos. Além disso, respire fundo, se afaste um momento e tenha controle das suas emoções. Depois volte e tente resolver da melhor maneira a situação.

Para educarmos nossos filhos precisamos saber lidar com as nossas emoções. Não é nada fácil, mas estamos aprendendo a sermos pessoas melhores e darmos um bom exemplo. Não quero que meu filho saia gritando com os outros ou mesmo comigo. Perceber nossos erros e corrigí-los é essencial para educarmos bem nossos filhos.

Ser uma mãe tranquila e ter um filho que obedece não é fácil, mas de fato, os gritos só pioram a situação. Usar os castigos, conversar e ensinar o correto, nem que se tenha que repetir 100 vezes, vai ser sempre a melhor opção.  A repressão pelos gritos ou palmadas, só vai ensinar às crianças a usarem estas mesmas ferramentas para ter autoridade em relação à outras pessoas do seu convívio.

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5 thoughts on “Educação: gritar funciona?

  1. Muito bom esse post. Eu andei dando uns gritos com o Yan as vezes até sem perceber , até que um dia ele me falou “mamãe não precisa gritar” isso me deu um choque de realidade. Foi aí eu percebi que precisava me policiar mais em relação a isso. Hoje eu me controlo mais, conversamos mais e nossa convivência melhorou 100%. Ele me sem eu ter que falar várias vezes. Amei parabéns.

  2. Adorei seu post! Eu sou mãe de um casal também, uma menina de 4 anos e um menino de 5. Eu só percebi que estava fazendo algo errado quando olhei pra eles e vi que só se falavam gritando. Então percebi que era o meu espelho e que eu precisava mudar urgentemente a forma como as coisas estavam andando dentro da minha casa. O exemplo ainda é o melhor! Parabéns, simplesmente sensacional!

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