Nasce uma mãe

No momento que vi meu primeiro filho nascer senti uma imensa alegria. Só que não. Como assim? E as lágrimas? E o amor instantâneo vertendo? Depois de meses de espera, a chegada do meu bebê não deveria transbordar meu peito de alegria? Talvez fosse algo pessoal, mas não queria dizer que a felicidade foi menor. Ou talvez a culpa fosse da anestesia. Assim foram meus pensamentos naquele minuto após o nascimento.

Nasceu um filho, nasceu uma mãe.

Naqueles primeiros pensamentos já era notável minhas exigências comigo mesma. Era apenas o começo. Assim como meu filho tinha muito a aprender, eu acabava de iniciar também o meu aprendizado.

Durante a recuperação eu e meu filho fomos nos conhecendo, fomos descobrindo a amamentação, nos aproximando. As enfermeiras me mostraram como cuidar do bebê, dar banho. O passar dos dias foi me tranquilizando e o amor foi se criando!

Lembro cada detalhe da saída do hospital, da chegada em casa num domingo de sol. Minha mãe ( que é um anjo pra mim) preparava um almoço e, eu e o papai babando o filho no sofá. Tudo foi perfeito!

Muitos escritores descrevem um período de neblina nos primeiros 60 dias pós parto, onde nos esqueceremos de quase de tudo. Tive a sorte de não passar por isso. Eu estava muito tranquila e confiante, achei que tinha nascido pra isso. Amamentar foi fácil e dar banho meu marido que dava, já que eu tinha medo e ele gentilmente abraçou  a tarefa. Tendo calma tudo se aprende, não tem porque se desesperar.

Uma segunda gestação que mudou tudo!

Achei naturalmente que na segunda gestação seria igual..mas a mãe nasce uma vez só, agora eu já era mãe.. o contexto era outro. Nasceu um bebê que eu desejei muito, eu já tinha prática com os cuidados, nada mais era novidade. Deveria ser muito mais fácil, não?

Não, de fato foi o contrário! Toda mãe que espera um segundo filho não quer decepcionar o primeiro. Só esse fato já é de extrema complexidade, as coisas logo começaram a parecer mais difíceis do que eu imaginara. Nosso aprendizado é constante. Ás vezes, nos saímos melhor num momento e em outro acabamos perdendo a linha. Achei que não iria dar conta de dois filhos pequenos, minha segurança e equilíbrio foram por água abaixo.

O període de neblina também aconteceu comigo!

Refletindo sobre aquele tempo, há pouco mais de um ano, percebi que não lembro de quase nada. Acho que o período de neblina chegou na segunda gestação. Fiquei triste ao não lembrar o dia que chegamos em casa com minha bebê, mas estava tão ocupada pensando como criar dois filhos pequenos, que não vivi o momento com atenção, estava muito insegura, nervosa e preocupada. Só queria ser a melhor mãe para ambos.

Essa neblina que tanto falam é simplesmente a falta de atenção ao momento vivido. Ansiedade, preocupações, nervosismo, despertam esse modo distante de viver o presente. Se tentarmos relaxar e curtir os momentos, sem estarmos perdidas pensando bobagens, observando pequenos detalhes, conseguiremos evitar  perdermos estes momentos para sempre? Não sei, mas vou tentar.

Por mais que estejamos perdidas, precisamos de calma para retomar o controle da situação.

Sei que não é uma tarefa fácil. Mas eu passei por isso de duas formas e talvez, se percebesse na época, teria vivido mais o presente, teria pensado e me preocupado menos, aproveitado mais. Bebês choram muito, ficam doentes, exigem muitos cuidados e demora até identificarmos o que eles têm e como lidar. Mas, com o passar dos dias e meses, tudo fica mais fácil. O início pode ser bem difícil, não se cobre ou se julgue, só irá piorar as coisas.

Ser mãe não tem fórmula mágica. Reconhecer que ninguém nasce sabendo, respeitarmos que uns tem mais facilidades de fazer isso ou aquilo sem nos cobrarmos, tornará o caminho mais tranquilo. Todas nós teremos muito que aprender nessa jornada com nossos filhos, cada uma a seu tempo e a sua maneira.

“O nascimento do bebê  é um momento muito especial, assim como cada momento que temos ao lado de nossos filhos. Hoje páro e observo atentamente meus filhos alguns momentos por dia, mesmo em gestos simples. Em meio a tanta tecnologia e informação não é tão fácil quanto parece. Mas espero conseguir montar um lindo álbum da infância deles, pois passa tão rápido, que se não prestarmos atenção, já passou”

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9 thoughts on “Nasce uma mãe

  1. Lindo texto, as vezes a gente pensa que não vai conseguir, pensa tanto que acaba esquecendo de curtir os bons momentos. Tenho um filho e as vezes me pego pensando, como será quando eu tiver mais um? Devemos pensar menos e curtir mais. Bjos

  2. Não vejo a hora de ser mãe, sabe? Como você mesmo disse, eu quero nascer junto com o meu filho e quero aprender tudo igual a ele.
    Vejo muitas mães falando que amamentar é difícil, os primeiros meses ninguém dorme além do bebê… enfim!
    Espero de verdade vivenciar um momento único com o meu filhote hihi
    Beijos

    1. É muito importante saber que as coisas são difíceis no começo, para que não se crie ilusões e fiquemos decepcionadas. Sabendo o que se espera, respeitamos o tempo do aprendizado com calma e podemos curtir esse momento de descobrimento. Tenho mil momentos únicos e especiais com meus filhos, são tudo pra mim! Certamente será uma ótima mae!

  3. Que textooo perfeito 😍😍😍 parabéns vc descreveu de uma forma tão sublime tão natural tão detalhada que me senti uma mãe rsrsrs
    Não vejo a hora de ser mãe e sentir tudo isso. Esse texto tbm me mostrou que quando chegar o momento eu só preciso viver é aproveitar cada detalhe.😆😆

  4. Perfeito, os detalhes com que você descreveu a maternidade são a pura realidade. Amei, tudo o que eu senti resumido em um texto…lendo, eu voltei a 1 ano e 6 meses atras, quando peguei meu bebe no colo e pensei, e agora? Vou ser boa mae? Vou conseguir? O que eu faço? Parabens pelo post, Beijao

  5. Que texto maravilhoso…você descreveu exatamente em detalhes tudo o que eu tbem senti.. tenho só um filho. Como foi difícil os primeiros dias, tudo novo e sim, hoje sou uma nova pessoa, com outras idéias de vida é e de família. Bju

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