Natação para bebês

Desde o primeiro banho que fui dar no meu filho a água passou de inofensiva e amigável à temida e perigosa. E se ele escorregar e se afogar?? As neuras começaram aí  e só agora, após 3 anos, estou aos poucos me tranquilizando sobre seus reais perigos.

Sou uma mãe super cuidadosa, mas mesmo assim já aconteceu de meus dois filhos darem mergulhos acidentais. A primeira vez meu filho tinha pouco mais de 1 ano, escorregou na banheira e mergulhou, acabou respirando um pouco de água e se engasgou. Virei pra baixo, dei tapinhas nas costas, logo ele tossiu e abriu o berreiro. Eu fiquei apavorada, me senti péssima e mais preocupada.

Tentei tirar a banheirinha do banho para evitar mais mergulhos, mas ele adorava e não consegui. Ele ainda passou por mais uns dois momentos desses, sempre engasgava, se assustava muito e eu também!

Já minha filha mais nova só teve um mergulho, como tinha menos de 6 meses nada aconteceu. Ela escorregou o bumbum, acabou afundando o rosto e eu rapidamente a puxei. Ela ficou imóvel e eu me apavorei mais ainda pela falta de reação, devia estar abismada com a minha cara de pânico. Depois descobri que até os seis meses os bebês tem o reflexo automático de mergulhar, o que justifica a reação dela.

Comecei a me preocupar, pois eu e meu filho mais velho, com 3 anos, tínhamos criado uma relação de temor com a água. Até para enxaguar o cabelo no banho ele fazia um drama todos os dias. Eu aprendi a nadar desde cedo, mas temia por ele e não me sentia segura para ensinar nada. Então resolvi matricular ele na natação para tentar resolver nossos problemas aquáticos.

Nas primeiras duas aulas ia tudo muito bem, a mãe entra junto na piscina e segura o filho o tempo todo. Aos poucos meu filho foi se soltando e fazendo os exercícios. Até então, ele só tinha entrado no mar ou na piscina, com aquelas boias que mantém só as pernas da criança na água e a cabeça bem longe.

Na terceira aula a professora anunciou o mergulho, mostrou como fazer e afundou meu filho na água. Eu fiquei surpresa – Como ele vai aprender a mergulhar assim?? Ele saiu assustado da água, não sei se mais ou menos do que eu, mas ao mesmo tempo risonho. Ela repetiu 3 vezes no primeiro dia, mesmo ele fugindo e dizendo não. Na ultima vez acabou tomando água e engasgando e ela fingiu nem ver.

No final da aula eu sai meio em choque, por perceber que o aprendizado se daria pela propria descoberta de causa e efeito. Estava esperando alguma técnica, uma explicação elaborada para ensinar, nariz tampado ou algo do tipo. Estranhei a simplicidade do método, mas pelo menos me sentia segura em ter supervisão de um profissional caso algo desse errado.

Aula após aula ele foi evoluindo e eu também. Fomos perdendo o medo e descobrindo muitas brincadeiras. É mais um laço de confiança que criamos juntos e saimos vibrantes a cada aula com o aprendizado. Fazem apenas dois meses que começamos, mas ele já parece um peixinho na água. Assim que passar para a aula sozinho, vou começar com minha neném, quanto antes melhor para nós duas.

Demorei muito para perceber que os riscos das crianças se afogarem conosco junto é irrisório, podem tomar um gole d’água ou dar uma engasgada, mas não é o bicho de sete cabeças que eu imaginava. Pena eu ter demorado tando para perceber. O meu filho não teria sentido tantas vezes um medo que era meu e certamente exagerado.

Na jornada de ser mãe continuo aprendendo e tentando melhorar a cada dia.  O verão vem vindo e quero ver meus dois filhos pequenos curtindo a praia e a piscina sem neuras, brincando e se divertindo, sempre acompanhados, mas confiantes que estão seguros dentro ou fora d’água.

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