Segundo filho: o que esperar?

Quando descobri que ia ter o segundo filho, o mais velho ainda mamava e tinha apenas 1 ano e meio. Naquele momento senti um mistura de sentimentos. Alegria pela vinda de mais um filho e  tristeza por ter que me dividir tão cedo. Uma preocupação em como seria a reação do filho mais velho e também culpa por não poder dar a mesma atenção que dei ao primeiro. E o pior, um estranho medo de não conseguir amar igual os dois filhos.

Vi tempos atrás, uma mãe famosa declarar numa entrevista que durante a gestação sentia medo de não amar o segundo filho tanto quanto amava o primeiro. Na época achei uma bobagem, mas durante a gravidez nós vivenciamos coisas impensáveis e de repente lá estava eu com a mesma sensação. Tentei esquecer do assunto, afinal, o amor nasce e cresce aos poucos, como poderia ser igual se o segundo filho nem tinha nascido?

Não consegui fazer o quarto do bebê, o enxoval foi feito de reaproveitamento das coisas do irmão e os alguns presentes que ganhou. E assim foi a gestação, ocupada com exames, cuidando do mais velho e pensando como seria a reação que ele ia ter com a irmã recém nascida. A falta de dedicação nos preparos para receber minha pequena me trazia um pouco de culpa. Será que iria conseguir ser uma boa mãe para os dois?

Felizmente nossa capacidade de ser mãe, cuidar e amar é infinita. Logo estava dando conta dos cuidados dos dois. Minha filha foi despertando um amor imenso e profundo em mim, nós só precisávamos nos conhecer. Hoje sinto cada dia mais intensa nossa ligação. Muito diferente da relação mãe e filho, é uma sensação de identificação, afinal somos mulheres e parecidas, nos entendemos pelo olhar.

Os primeiros meses se passaram e meu filho mais velho continuava tendo minha atenção e dedicação. Não demonstrou ciúmes ou rejeição. Ele ainda era muito pequeno e minha neném não fazia grande coisa ou incomodava ele. Achei que tudo ia muito bem.

Entretanto, ser mãe não é fácil quando se tem um filho, só poderia ser ainda mais complicado com dois. Ao passo que minha filha ganhava espaço na casa e nas atividades a competição se instalou. Às vezes querem o mesmo brinquedo ou a mesma comida, a atenção da mesma pessoa ou simplesmente incomodar um ao outro.

A parte mais surpreendente pra mim foi que minha filha menor, com apenas um ano já sabia provocar e incomodar o irmão. Não é sempre ele que começa, nem que machuca ou arranca as coisas da mão. Inclusive ela adora atirar ele no chão, subir em cima e pular. Meu filho com 3 anos ainda não tem muita noção de como as brincadeiras podem ser perigosas para ambos, imagina a situação!

Quando se tem irmãos temos que lidar com a competição desde cedo e espero que apesar de “chato”,  isso faça com que se tornem pessoas melhores, aprendendo a respeitar as diferenças, a dividir o espaço, a serem seguros e terem apoio como família. Mas tenho certeza que será um longo aprendizado.

Enquanto brigam tento mostrar que ceder e evitar conflitos é uma atitude inteligente. Ensinar que o irmão deve ser um amigo que temos que respeitar. Enquanto só o mais velho entende ainda não consigo evitar a maior parte das brigas. Me ocupo em não deixá-los sozinhos, evitando que se machuquem nas brincadeiras.

Sempre dou atenção a ambos e tenho momentos a sós com cada um, fortalecendo nossa relação de amor e confiança. Utilizo brincadeiras que unam ambos para criar momentos de diversão para eles interagirem, vou aos poucos mostrando esse lado divertido de ter irmãos.

Em alguns momentos meu filho diz a irmã que a ama, quando estamos na rua ele apresenta aos amigos orgulhoso e a protege. Para minha filha mais nova o irmão é tudo, vive grudada e imitando. Sei que o amor entre eles também aumentará com o tempo, eles ainda tem que se conhecer e entender que ambos tem o amor e o espaço garantido dentro da nossa família. Um irmão pode se tornar um amigo incrível  para a vida toda, um laço de amor e confiança difícil de acharmos fora da família. Espero que aproveitem bem essa oportunidade e tirem o melhor proveito desse relacionamento.

 

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